Ok, mais uma década que passou.
Parece que tenho que escrever algo profundo sobre os últimos 10 anos, ou 3650 dias, mais coisa menos coisa.
Hmmm....de repente olhar em retrospectiva torna as coisas um pouco assustadoras. Imagino-me de novo com 20 anos, ainda a acabar o secundário e com muitas incertezas mas também com a ignorância reconfortante de quem não sabe como a vida real neste País, que nos mastiga e cospe.
O primeiro instinto é logo pensar nas coisas que alcancei e os feitos conseguidos mas também naquilo que ficou por fazer. Talvez por traços de personalidade me lembre mais do que ficou por fazer do que foi feito. Isso já está alcançado, falta agora é o resto.
Pensa-se também nas pessoas que ganhei e perdi neste último período. Nesse campo posso até ter ganho. Comecei com muitas poucas pessoas e fui adicionando novas ao círculo, apesar de até poucas terem ficado nele. A verdade é que umas por doença, outras por traços de personalidade, estilo de vida e até estupidez crónica foram saindo desse círculo. Saldo positivo mas muito ligeiramente, o que não quer dizer que o valor não seja elevado. Se calhar a vida é isso mesmo. Selecionar e selecionar, até que só fiquem aqueles que nos fazem falta ou que nunca nos deixaram pendurados.
E a desilusão? Aí está uma cena em que os meus níveis de tolerância baixaram para minimos históricos. Simplesmente não a tolero e isso foi algo que foi ficando vincado ao longo da década. Infelizmente, diga-se, já que chateava-me muito menos se não me importasse. Enfim...vem com o pacote e agora já não dá para desinstalar. Estilo um upgrade automático do Vista mas pior.
Mas a pergunta mais importante no meio disto tudo é: o que é que realmente importa? O que construiste? A resposta não é fáçil pois obriga a honestidade total com aquilo que realmente somos. A verdade é que não interessa nada. Tudo o que se tem, seja objecto, título ou dinheiro, é treta. Pura e simples treta. Nada importa se não te sentes bem com a tua vida e a forma como tu a viveste. Como tu a viveste...e não como os outros a imaginaram para ti. Se não consegues sentir esse bem-estar e alegria quando puxas a fita para trás para as reminiscências, então algo correu mal. Tudo o resto é treta, bullshit, mierda ou aquilo que lhe quiserem chamar. Quanto a títulos, glórias e demonstradores modernos de status a História irá encarregar-se de os pôr no sítio devido, nomeadamente em alguma prateleira com pó que algum estagiário há-de um dia limpar numa sub-cave fria e escura.
Alguém escreveu numa música: "a vida é uma viagem, não um destino". Quanta verdade existe nuns acordes com forte distorsão por trás.
Quanto às pessoas, hoje não irei ouvir a voz dos meus avós e do meu grande amigo João. A vossa presença certamente permitiria que estes pensamentos não pesassem tanto no dia-a-dia de um país que tem tanto orgulho em premiar burlões, vigaristas, estúpidos e atrasados mentais que estão tão convencidos que são pessoas "capazes" que não se apercebem da nulidade que realmente são. Às boas pessoas que referi antes, deixo uma frase: sinto a vossa falta todos os dias.
Quanto à pergunta que ficou no ar: o que realmente acho destes últimos 10 anos? Irei responder....mas só daqui a outros 10 anos, sou novo demais para cheirar as PLANTAS que só agora começam romper o solo. Agora foi aberto um capítulo novo cheio de páginas brancas para escrever e não perder tempo a ler linhas passadas.


1 comentários:
És novo demais para cheirares as rosas que só agora começam a romper do solo???
Quer-me parecer que já estás é a precisar de ir ao otorrinolaringologista... Tu cheiras rosas que rompem do solo?!?!?
Tás mesmo a ficar gágá!
É a vida e o raio dos 30 não perdoam!!
E sim, fala a voz da experiência (só que eu já me habituei... tu ainda não!)
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