
Em Outubro de 2003, num intervalo de uma das primeiras aulas do meu último ano de licenciatura, alguém aponta para ti e diz-me: "Ali vai a caloira mais bonita deste ano". Olhei para ti e realmente chamavas a atenção. Não sei se eram as tuas feições dóceis, o cabelo encaracolado comprido ou alguma doçura escondida no teu olhar, só sei que olhei uma vez e passei a olhar o resto do ano.
Até ao fim do ano nunca fui capaz de te dirigir uma palavra (boa, estúpido!), apesar de estares a 3 salas de distância no teu curso de economia.
No sábado, vi-te. Ou melhor tu viste-me a mim primeiro. Não te reconheci à primeira, sem saltos altos ficas diferente (mais baixa, duh). Reconheci-te pelo teu olhar e pela forma como te fixas-te no meu olhar e depois o desvias-te quando percebeste que eu fixei o teu. Continuas com essa doçura escondida no teu olhar.
Há 5 anos estava eu comprometido e tu não. Hoje a situação inverteu-se. Mas os olhares dizem muito. O teu disse muito mais do que certamente quererias naquela hora de almoço nas docas.
E eu penso: "E se...."


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