Amiga,
obrigado por este almoço, conselhos, ouvidos e acima de tudo a amizade.
Sei que também não estás numa altura fácil mas mesmo assim estiveste ali aquele tempo todo preocupada comigo.
Apesar de pouco poder fazer por ti, sabes que podes contar sempre comigo para te ouvir e desabafar. Sei que gostas destes bichinhos e espero por poucos minutos consigas tirar a cabeça daquilo que te preocupa.
segunda-feira, 31 de março de 2008
sábado, 29 de março de 2008
O meu diário Migu

Este post será certamente dos mais difíceis que alguma vez irei escrever. Não porque o assunto me desagrade mas porque me vai obrigar a "abrir" a cabeça de uma forma que poucas vezes a fiz.
Não sou fã de pessoas que têm não-sei-quantos blogs e que surpreendentemente têm sempre assunto para escrever em todos eles. Sou reservado, tímido e às vezes inseguro e nada mais me faz sair da minha zona de "conforto" do que me abrir a terceiros. Sou assim e só quem me conhece muito bem é que me sabe "dar a volta" para pôr tudo cá fora. Este post é feito em honra da pessoa que mais lutou para que eu abrisse este "espaço". Provavelmente ela saberia bem melhor que eu os efeitos destes espaços muito pessoais teriam no autor do mesmo. Espero ainda pelos benefícios desta honestidade auto-imposta que tem que reinar neste local.
Voltando ao importante.
Eu tenho um diário que se chama Migu. É um diário como muitos que existem. Tem capa e páginas por "dentro" mas este diário tem a particularidade de ser uma pessoa.
À primeira vista, para quem não conhece, tem uma capa rija. Apesar do ar amigável consegue em 2 segundos e mexendo só muscúlos da cara (tirando o habitual cruzar de braços) pôr à distância o mais insistente operador de telemarketing. Mas ao mesmo tempo que consegue ter esta cara carrancuda, consegue também sorrir de uma maneira que ilumina uma sala e dar gargalhadas capazes de fazer o maior maníaco-depressivo rir-se até à incontinência total. A capa do meu diário também tem uma voz com uma ligeira roquidão, que lhe dá um toque inconfundível, e um nariz à maneira. O nariz não sei explicar mas fascina-me. Não tem nenhum defeito ou qualidade fora do normal mas é estético, arquitetónico, poético ou aquilo que lhe quiserem chamar. É giro o raio do apêndice olfativo.
Outro aspecto giro no meu diário é a cara. Não consegue disfarçar a surpresa. Sempre que surpreendida, pela positiva ou negativa, arregala os olhos. Uma particularidade: se a surpresa for boa ela ao mesmo tempo que arregala os olhos fica boquiaberta por uns segundos.
As páginas do meu diário é uma questão mais complexa. Nem sei bem por onde começar. É a parte mais complicada de quando se tem muito para dizer. Ao mesmo tempo que tudo parece importante, as ideias amontoam-se e os pensamentos perdem-se nas recordações das situações que os comprovam.
Começando de forma simples, o meu diário é uma pessoa inteligente, afectuosa, emotiva, impaciente, por vezes impulsiva, muito educada, "eléctrica", com bom-senso (uma qualidade que a deixa particularmente orgulhosa), ambiciosa, orgulhosa, nervosa e uma excelente amizade. Uma vez fizemos uma lista com as suas qualidades e defeitos. Haveria certamente muitas mais características para adicionar aqui mas o que se pretende aqui não é um perfil psicológico objectivo, até porque eu nunca teria a imparcialidade para o fazer.
As páginas do diário lêem-se inicialmente muito bem. É uma pessoa que liga muito bem com as pessoas e, desde que a pessoa seja aparentemente normal, troca com facilidade 2 dedos de conversa e não tem problemas em mostrar os lados mais superficiais (no sentido de superficie e não de futilidade) da sua personalidade.
O desafio aparece aqui. O meu diário e eu partilhamos uma (entre outras) característica. Quanto mais profundo nos querem descobrir mais difícil é deixar-mos que tal aconteça. Por isso quanto mais leio as páginas do meu diário mais difícil se torna o virar das páginas. Não que o conteúdo perca interesse, muito pelo contrário, mas porque o próprio diário dificulta a passagem a outros capítulos. A ideia da exposição do nosso ser mais íntimo, a nudez emocional, fragiliza-nos e assusta-nos. É um traço comum que temos e ambos sabemos que connosco só se vai lá com o tempo e com a força da técnica e não o inverso. Quem não respeitar isto, a primeira reacção será fechar a concha e não deixar entrar nada nem ninguém.
Poderia continuar aqui a deambular sobre traços de personalidade do meu diário mas estaria a fugir aquilo que no fundo a ando a evitar desde o início. Sempre disse que em tudo na vida mais do que "quê's" interessa-me os "porquês". Porquê é que o meu diário é importante? O que tem de especial?
Hoje em dia é-nos tão mais fácil criticar do que apreciar. Provavelmente a crítica não se afeiçoa e por isso não se fragiliza, logo faz-nos parecer mais fortes. Muitas vezes refugio-me nesta camuflagem e essa é uma das razões porque este post demorou demasiado tempo a ser escrito. Antes de o começar a escrever consultei escritos passados para me relembrar daquilo que já tinha sido escrito entre mim e o meu diário. Tirando as milhares de horas de conversação e as centenas de gargalhadas que já foram dadas existe algo registado para a posteridade.
Ao ler essas passagens percebo que o meu diário olha para mim e descreve-me com um carinho muito especial. Sou "homem sensível, com coração de manteiga" e "romântico, carinhoso", segundo ela. Certamente não serei essas coisas todas mas acredito que o meu diário tem essa opinião e fico feliz por ela o achar. Por outro lado, o meu diário gosta de partilhar os nossos momentos mais divertidos com outros. Não sei porque o fará, creio que será por gostar desses mesmos momentos e por a fazerem feliz.
Mas não serão certamente só estas as razões que a tornam especial. Gostar de estar com alguém que nos faz rir acontece frequentemente com muita gente. E quando não há alegria? E quando as circunstâncias não permitem risada constante. O meu diário um dia escreveu as seguintes palavras sobre os "laços" que nos unem:
"Porque as diferenças nos aproximam.
Porque as semelhanças nos tornam mais cúmplices.
Porque a minha vida tem sido cheia de contrariedades e tu estás sempre aí.
Porque tu és muito complicado, e eu estou sempre aqui.
Porque nunca deitamos uma lágrima presencial, mas ambos sabemos que choramos por dentro e tentamos minimizar a dor.
Porque temos mau feitio e suportamo-nos com agrado.
Porque somos perfeccionistas tentamos estar sempre à altura um do outro.
Porque temos a capacidade de falar sobre todos os assuntos e nunca nos tornarmos maçadores.
Porque encontramos pontos comuns em ideais tão antagónicos.
Porque os anos de convivência já são muitos, às vezes nem precisamos falar.
Porque temos mau feitio e suportamo-nos com agrado.
Porque somos perfeccionistas tentamos estar sempre à altura um do outro.
Porque temos a capacidade de falar sobre todos os assuntos e nunca nos tornarmos maçadores.
Porque encontramos pontos comuns em ideais tão antagónicos.
Porque os anos de convivência já são muitos, às vezes nem precisamos falar.
Porque quando rimos, rimos juntos. E estamos sempre a rir e rir é tão bom…
Porque o destino assim quis, encontrámo-nos pelo caminho.
E porque nós queremos, temos percorrido juntos a estrada da vida.E vamos acabar velhinhos a falar do tudo e do nada, numa qualquer florista com esplanada para futuros empresários.
E a ti devo muito, mais do que a qualquer pessoa.E uma vida não chega para retribuir.
Ficam as palavras e os gestos para que sintas a gratidão.
Porque a amizade é o bem mais precioso, estarei sempre ao teu lado.
P.S. Não faz jus às tuas palavras, mas foi o melhor que consegui :)"
Estas últimas linhas não servem para mostrar como sou bom para outros. Porque se aqui existe alguém em dívida serei certamente eu. A relação com o meu diário tem mudado consideravelmente nos últimos 8, 9 meses. Quando quase toda a gente deixa de acreditar em mim, o meu diário nunca tem dúvidas. Quando a maioria das pessoas deixa de ter tempo para se lembrar de mim, ela telefona e pergunta quando é que nos podemos encontrar para falar nem que seja de trivialidades. Apesar de nunca termos chorado juntos, ela já chorou lágrimas de tristezas minhas e abraçou a minha dor e saudade para que eu não sofresse sozinho. Sempre que a maldade me bate à porta, na forma de inveja e mesquinhez de outros, ela é a primeira a ir em minha defesa e fazer o impossivel para que palavras ocas não façam estragos cá dentro.
Os 2 últimos meses não têm sido fáceis. Mesmo quando me torno insuportável, tu continuas a aturar-me. O meu diário conhecendo-me bem como conhece tem tentado de forma subtil perguntar-me o que se passa e embora eu tente desviar o assunto, ela insiste delicadamente porque não desiste de me ajudar. Gostava de ter a coragem de lhe dizer tudo o que me apoquenta, os meus "devaneios", mas isso é-me difícil de fazer. Porquê? Não sei.
O meu diário há poucos dias falava comigo com alguma indignação, e com razão, por às vezes eu fazer segredo de certas coisas com ela que não faz comigo em situações inversas. Estou a aprender a confiar em pessoas mas às vezes é dificil dar o salto para a piscina. O problema não é do diário, é meu. Citando novamente o diário sobre aspectos da minha personalidade:
"Mas o meu eu
Só eu o conheço
Ninguém se aproxima
Nem quem eu quero
Porque a capacidade de o mostrar
Só eu o conheço
Ninguém se aproxima
Nem quem eu quero
Porque a capacidade de o mostrar
Desapareceu com as desilusões."
Só poderei dizer uma coisa. Estou a aprender essa capacidade. Chegarei lá em breve certamente.
Existem outras coisas que o diário não sabe, mas que as tem direito a saber.
Uma vez o meu diário publicou uma foto e disse-me que a foto representava aquilo que eu significava para ela. Era a foto de um sol. A minha resposta foi "percebi". É verdade que eu percebi, mas também é verdade que me emocionei. É também verdade que o meu diário é absolutamente nuclear na minha vida. Não o disse, mas deveria...
Há umas semanas o meu diário perguntava meio a brincar, meio a sério o que faria se ela deixasse este mundo. Devolvi-lhe com outra pergunta, se ela queria uma resposta a sério ou a brincar. Quando lhe dei uma resposta séria, disse que ficaria devastado. É verdade mas aquilo que não consegui dizer foi que se ela desaparecesse levaria com ela pedaços de mim que eu jamais recuperaria.
O meu diário não é pneu suplente de ninguém. Tem um espaço próprio e único dentro de mim e o carinho, amizade e afecto que tenho por este diário é insubstituível e inegociável.
Este diário não é só meu, também o é de muita gente. Mas a enorme cumplicidade que existe entre ambos, essa é só nossa.
Como tu ainda tens um grama de paciência para me aturar é algo que me surpreende. Pelos tempos bons e maus, com maior ou menor presença tu tens estado sempre ao meu lado a dar a tua amizade e apoio incondicional. Nunca me viraste as costas. Estas palavras são um simples agradecimento de quem arranjou esta forma um pouco cobarde de dizer coisas que já deverias ter ouvido. Sei que são palavras um pouco toscas mas são sinceras.
Sei que não gostas de coisas lamechas mas para terminar vou-te devolver algo que me escreveste há pouco tempo: "Estarei sempre ao teu lado".
Querida amiga, deixo aqui uma frase só nossa: "Luso u".
sexta-feira, 28 de março de 2008
Post em Progresso
terça-feira, 25 de março de 2008
Papás
Os meus pais são as pessoas mais heróicas da minha vida. Sempre se sacrificaram para que eu tivesse uma vida melhor que a deles e não me parece que exista maior dádiva para um filho do que essa.
Apoiaram todos os meus projectos e sempre tiveram uma confiança inabalável em mim. Sou um felizardo e todos os dias tenho consciência disso. Ensinaram-me também valores que nunca irei esquecer. Na família, por muito pequena que seja, aguentamos as dificuldades sempre juntos e partilhamos sempre as alegrias. Ensinaram-me também o valor da lealdade, da amizade e de que as coisas para resultarem é preciso lutar por elas.
O meu pai é das pessoas mais corajosas que conheço. Nunca o vi a perder a paciência para com ninguém mas sei que muitas vezes ficou a perder de forma a ser correcto com os seus valores. Há muitos tempos teve uma excelente oportunidade profissional que não aproveitou porque queria assistir ao meu crescimento. Sei que ele ficou a perder mas tive a felicidade de crescer com um pai ao meu lado. Quantos teriam coragem para fazer algo igual? Durante muitos anos pouco ou nada me dei com o meu pai mas quanto mais cresço mais percebo a sua importância na pessoa que sou hoje.
A minha mãe é uma resistente. Faz tudo o que lhe é possível para me dar mais uns gramas de felicidade. Se tive sempre amor incondicional, devo-o à minha mãe. Seria impossível pedir mais a alguém que olha para mim com tanta admiração e amor.
Quanto mais cresço mais entendo tudo o que fizeram por mim. Se existe coisa que o tempo ensina é a apreciar as coisas que voçês fizeram e a sabedoria toda que me passaram. Nunca vos poderei agradecer mas quero que saibam que transportarei esses valores comigo e tentarei transmiti-los em tudo o que faço. Obrigado por tudo.
O inicio
A conselho de alguém especial criei um espaço pessoal só meu.
Não faço a minima ideia do que venho escrever para aqui e por um lado até tenho medo de assustar quem venha.
Acima de tudo tento ser normal sempre com as minhas paranóias e a minha capacidade de observação das paranóias dos outros. Há quem goste de ver a classe média a passar na rua.... :p
Só o futuro sabe aquilo que reservo para estas linhas. Coisas boas, coisas menos boas enfim de tudo.....
Obrigado por estarem aqui....
Não faço a minima ideia do que venho escrever para aqui e por um lado até tenho medo de assustar quem venha.
Acima de tudo tento ser normal sempre com as minhas paranóias e a minha capacidade de observação das paranóias dos outros. Há quem goste de ver a classe média a passar na rua.... :p
Só o futuro sabe aquilo que reservo para estas linhas. Coisas boas, coisas menos boas enfim de tudo.....
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